quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Meta meta ..........

Meta Meta Poema



E eu não quero fazer uma canção de amor

e não quero poesia cult
e chega de baudelaires
 e adolescentes rimbauds

E não me meta a fazer
metalinguagem chic
( mas livre-me de todo o kitsch !)

A procura da poesia não é luta vã
é luta sã
sejamos simplistas
nem amor nem amizade
prosa e poesia
também abaixo os campos concretos
(afinal, quem dirá o que é trocadilho
o que é poesia?)

E falar do que se faz
e não fazer o que se falou
e dizer como e por que se fez
teorizando a teoria teórica

Rimar de madrugada
ou branquear meu verso
ser poeta menor bandeira
e caminhar na mágica presença das estrelas

E ser singelo
quintaneando sem transbordar
sugar e sugar Drummond
ver a flor nascer do asfalto
contar casos vestidos
também despurificar o branco

Falar de amor então
e ser brega
e ser Vinícius
não sendo rosa cirrosa francesa

Ser vago-obscuro
precisamente vago
finamente, como um cão despenado
como um embaixador na Espanha

Chega de versos longos
economizemos empáfia
poupemos saudosos poetas de versos empolados

E que a flor do Lácio proteja
como um santo barroco
aquele que ousar ser original

E que a meta meta metáfora
não seja pós pós pós
e que o côncavo e o complexo
sejam simples e convexos
tudo agora nesse tempo titânico

Completa tradução
desta extasiada língua
linguagem sem meta
metalinguagem.



1995

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