quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Grávido 


(para W.)



Imersas no limbo do vir-a-ser
certas palavras  se recusam
forma estranha de gritar seu  sentido

me olho para você assim
prenhe de vontades interditas
colecionando proibições de palavras

tento cultivá-las,  como uma fêmea
que mansamente aguarda a hora,
tranqüila, de parir seu rebento

porque  ela ama e só o pode
a semente,  já encravada na barriga
mesmo sem saber o que virá da casca rompida

também meu poema é assim
vigilante, mantenho-o resguardado
escondido nas entranhas da mudez

espero -  caminhão de ansiedade
o dia dele se inscrever em  lisos papéis
para poder também te mostrar

e materializar meus olhares furtivos (ou nem tanto)
que fixam seus fundos-olhos castanhos castos
e se dissolvem ante a  menor ameaça de sorriso (largo)

Porque estou a cada dia um pouco assim
Prenhe de novas vontades ardentes
Guardião deste novo querer precioso

Sobretudo, e todavia mais que antes

Absolutamente vinculado a sua órbita.



outubro/2009

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