Noite de verão dispensa cobertor esfarrapado
Soa novamente a sirene do bandido fardado
Amontados ambulantes se atordoam com o mesmo som
As mãos se enchem de inúteis panfletos verdes
Suores de gentes vendendo chocolates derretidos
Torpor aderente naquele trem que se arrasta
Chuvas ou sóis invisíveis, o cinza veda a vista.
Automóveis aclimatados presos em bloqueadas avenidas
Camisas encharcadas escondidas sobre ternos escuros
Locutores de FM e seus helicópteros de novo fracassam
Labirintos distanciam territórios conflagrados
Fede a pinga, não há sabor possível
Água branca escorre do nariz quando deixam o banheiro
“on the rocks”, o Black label exala então todo sabor
A sirene anuncia a proximidade do fardado inimigo
Repetidas notas de músicas ciclicamente descartáveis
Instala-se aquele vírus conhecido no e-mail
Sucedem-se séries idiotas no canal mais visto
Ilhas e castelos pululam em multicoloridas revistas
Talvez, os acordes
Talvez os olhos fechados
Talvez o sonho inusitado
23.01.2001
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